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A Tragédia Orçamental

sábado, 6 de fevereiro de 2016

  O XXI Governo Português foi empossado há menos de dois meses e, em tão curto período de tempo, conseguiu hipotecar a credibilidade que o país, penosamente e com muito sacrifício de todos os portugueses, adquiriu junto das instituições financeiras e políticas europeias e mundiais.
Mas não só desbaratou credibilidade, como também se encontra a desbaratar a recuperação económica encetada e que estava ainda longe de estar concluída.
As revogações constantes, e de forma cega e eleitoralista, de medidas económicas implementadas para recuperar as finanças públicas, estão a ter custos e vão  ter custos inaceitáveis para os portugueses.
A trágico-comédia envolvendo a elaboração do Orçamento de Estado alternou entre a comédia provinciana, a tragédia épica, a farsa e o melodrama. Não fosse a intervenção da União Europeia, e as críticas  internas e internacionais de reputados economistas e o risível esboço de orçamento apresentado por Mário Centeno seria hoje uma realidade. Haverá final feliz?
Crónica de Pedro Miguel Carvalho no Correio da Manhã

Cor ou Mérito?

terça-feira, 26 de janeiro de 2016


Conhecidos os nomeados para os óscares a atribuir pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, estalou a polémica pela alegada falta de diversidade entre os atores, atrizes e realizadores nomeados.

 Este será o segundo ano consecutivo em que nenhum artista de tez negra estará na disputa por uma estatueta dourada, o que provocou uma onda de críticas.

Não vi todos os filmes nomeados, nem vi todos os filmes a concurso, pelo que tenho dificuldade em tomar uma posição crítica sobre as escolhas da academia, mas surpreende-me que a crítica às nomeações tenha apenas por fundamento a cor da pele e não um critério de desempenho artístico. Se algum ator ou realizador foi preterido em função da cor da pele, aí de facto a Academia tem que se envergonhar, mas se esta apenas utilizou um critério artístico, independentemente  da cor da pele, aí serão os críticos a terem que se envergonhar por serem racistas, por defenderem critérios segregadores em detrimento de critérios de mérito artístico.

Crónica de Pedro Miguel Carvalho no Correio da Manhã

Poliamor

sexta-feira, 6 de novembro de 2015



Poliamor é uma prática, uma escolha de relacionamento íntimo e amoroso simultâneo com vários parceiros com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos.

Ora, esta é a definição que melhor caracteriza o relacionamento que se está a estabelecer entre o PS, PCP e BE para formar o putativo XXI Governo Português.
Não há um casamento, não há uma coligação para formar governo, mas sim um relacionamento ou acordo múltiplo e simultâneo entre socialistas, comunistas e bloquistas, sendo que estes últimos nada acordam entre si, nem se relacionam, mas também não se opõem ao relacionamento simultâneo com o primeiro.

Ou seja, figurativamente, o PS irá governar solteiro, relacionando-se amorosamente, na assembleia da república, com o BE e simultaneamente com o PCP, sem compromisso sério e com consentimento de ambos os parceiros.
Artigo de Pedro Miguel Carvalho no Correio da Manhã  

Curtas... Novas técnicas de procriação

sexta-feira, 10 de abril de 2015



Este é um tema que merece, na minha opinião, amplo debate e envolve inúmeras questões. A dimensão da minha coluna não me permitiu dizer tudo - ou melhor não disse quase nada - o que pensava e abordar as questões que no meu entendimento relevam nesta matéria. Por essa razão inclusivamente ponderei não escrever sobre o tema. Mas julgo ser pertinente promover o debate e esta é uma questão sobre a qual o legislador se vai pronunciar e definir o quadro legal em que a mesma se irá realizar.

Tenho sérias dificuldades em perceber a necessidade que muitos casais - sem esquecer a situações que se poderão verificar de monoparentalidade - têm de recorrer a esta técnica de procriação para a todo o custo gerar biologicamente um filho, recorrendo a uma "hospedeira", quando podem adoptar uma criança órfã, e darem-lhe uma vida, o "ser", um futuro. Intimamente sinto que o meu amor pelos filhos não tem origem biológica. O meu DNA não está na génese ou é a fonte do amor que sinto por eles.

Aliás se assim não fosse não se compreenderia que muitos crianças fossem amadas pelos supostos pais biológicos, os quais na realidade não o são, sem prescindir aqueles não o saberem.

Eu já me questionei, para perceber o amor (apesar de esta não ser uma questão racional) que  tenho pelos meus filhos, qual seria a minha reação se descobrisse que eles de facto (em termos biológicos) não o eram. Em relação a eles essa descoberta era para mim absolutamente irrelevante, não os deixaria de amar e de os procurar proteger até ao fim da minha vida.

Desafio todos os meus amigos e amigas a partilharem o que pensam sobre esta técnica de procriação. Qualquer posição é e será naturalmente respeitada.

Crónica de Pedro Carvalho no Correio da Manhã 

Curtas... O Reino Prisional!

segunda-feira, 30 de março de 2015


Existe, atrás dos muros dos estabelecimento prisionais portugueses, um reino, que a maioria dos portugueses e leitores não conhece, em que o monarca, com o auxílio de toda a sua corte, reina absolutamente, sem se preocupar como vive, ou sobrevive, o seu povo, nem com o futuro deste.
O monarca, no caso o diretor do estabelecimento prisional, raramente sai da sua torre de marfim, raramente visita o seu povo ou o recebe na sala do trono. E aqueles que o rodeiam também raramente lhe trazem notícias daquele mesmo povo. Não vão aquelas indispor o rei.
Aquele monarca, e a sua corte, esquece que o seu reino é imaginário, e que aquele povo, os presos, por se encontrarem nessa condição, não perderam os seus direitos fundamentais e que em reclusão ou em liberdade, qualquer cidadão tem o direito de não ser humilhado, ignorado ou esquecido.  
Crónica de Pedro Carvalho no Correio da Manhã               

Curtas...As Botas De Sócrates!

terça-feira, 17 de março de 2015

       
      
Várias têm sido as notícias sobre as prisões portuguesas, mas nunca com tanta cobertura como desde a detenção de José Sócrates.
  Aliás as botas de Sócrates tiveram mais cobertura e geraram maior discussão na imprensa, entre os políticos e no país, do que a mais relevante e triste falência do sistema prisional português, a ausência de respostas para a ressocialização dos reclusos, que se encontram socialmente desinvestidos, e cuja aquisição de novas competências continua a ser reduzida, o que tudo se reflete, posteriormente, conjugadamente com rejeição social, numa taxa de reincidência elevada.
  Ninguém - a não ser familiares, e agora os dirigentes socialistas que peregrinam até Évora - quer saber das condições em que os presos expiam as suas penas, nem se o Estado investe na sua reintegração social. Afinal são apenas criminosos!

Crónica de Pedro Carvalho no Correio da Manhã, antigo líder da comissão política CDS Guimarães